7 comentários em “ARTE: UM PRODUTO DE MARKETING?

  1. Também gostei muito do artigo, Ana, parabéns pela abordagem. Creio que este seja um assunto de extrema complexidade, porque engloba um bom número de disciplinas e características. Para compreender o mundo da arte no Brasil, penso que seria necessária uma análise de cunho social, econômico, tecnológico, psicológico, etc. do nosso povo. Não sei se existe algo neste sentido, mas um bom título seria: “Porque a Arte é Pouco Valorizada no Brasil”. Quem poderia ou deveria fazer um estudo desses? Certamente não os artistas…!

  2. temos que ficar atentos à linha tênue entre arte e produto com arte. Pois corremos o risco de pasteurizarmos nossa arte em busca de aceitação dos outros e não de nós mesmos, artistas.

  3. A arte brasileira tem forte expressão popular fundamentada pelo “sistema de padroado” que permitiu e até organizou a música e o teatro nas atividades religiosas e profanas desempenhadas por populares nas igrejas e em seus pátios. Esses séculos de história agregaram culturas e manifestações diversas como as indígenas, africanas – especialmente os “bantu” no sudeste e europeias. Por isso, produzir arte é quase uma oferenda para nós!

    Mas quando falamos de marketing e arte, falamos de produto cultural.
    Muito importante esse debate bem colocado pela Ana Pirolo.
    O produto cultural é uma arte formatada e preparada para venda.
    Diferente da arte pela arte que pode ser produzida e guardada, apagada, refeita, publicada etc.
    O produto cultural abarca expressões muito diversas que encaram o “seguir uma carreira”, uma busca de valor com sentido para poder manifestar opinião, compromisso ou técnica.

    Nossa herança é misturar, arranjar, reinventar e produzir arte.
    Não é a toa que a nossa música é o melhor e mais conhecido produto brasileiro vendido no exterior.
    Mas ainda não somos bons em marketing.
    Continuamos oferecendo nossas preces…

  4. Antes, parabenizo a iniciativa de expor obras e artistas na rede. Sem dúvida, se tivéssemos mais oportunidades como esta, talvez o “quadro” das artes plásticas seria outro. No entanto, é preciso distinguir muito bem os dois campos aqui em questão – o das artes e o do marketing – pois um dos grande motivos do declinio do panorama geral das artes no final do século XIX, foi justamente o avanço da esfera de influência do pensamento publicitário. Os efeitos benéficos que a economia e a indústria colheram por meio da disseminação da “cultura de consumo”, implicaram no que os filósofos chamam “reificação da vida”, isto é, a grosso modo, “tudo tem um preço” e “tudo será substituido por um ‘modelo’ mais novo”. A advertência sobre o que estava acontecendo , registrada no apelo de vários artistas e pensadores , dentre os quais cito Herbert Read e Adorno, para exemplificar, hoje são fatos consumados – cito Adorno: “a cultura de massa será produzida primeiro para os imbecís, e depois, por eles próprios”. Refería-se ao que denominou “indústria cultural”, agente principal da reificação/coisificação da Arte, banindo da obra a sua dimensão “extraordinária”, esvasiando sua “aura” (deixada no objeto pela ação direta do artista). Read é talvez mais dramático ainda, afirmando que a mentalidade do século XX produz “autômatos”, incapazes de sentir estímulos sutís como os emitidos por uma pintura; seres que sofreram traumas imensos – são duas guerras consecutivas!…e ainda não havia a Guerra Fria e as atuais Guerras contra o “Terror”, enfim…O fato é que a violência atual dissimulada em produtos, disseminada em embalagens tecnicamente desenvolvidas para penetrar diretamente no inconsciente, estimulando a libido do consumidor, parece algo normal e atende a amplos setores da sociedade organizada. Neste panorama caótico de hiper estímulos, da propagação indiscriminada de sentidos e símbolos, a Arte acaba por ser quase um sacerdócio, no sentido de sua prática exigir uma batalha contra a banalização. Batalha esta que se trava no interior do artista, que se vê inserido num contexto que o obriga a dar uma dimensão comercial ao que por natureza, explicita a dimensão inefável, onírica e ideológica. Uma dicotomia que coloca a atividade do artista, a criação pura, frente a necessidade de imiscuir-se no processo da desumanização que sustenta este modelo civilizacional – a competição, “custe o que custar”, sob a pena do desaparecimento sumário. Assim, é extremamente delicado a inserção de termos e valores estranhos à natureza da Arte, pois não há condições sociais favoráveis para a compreensão dessa relação entre o ordinário e o extraordinário.

  5. Pingback: GaleriaNews Fev 2012 « Galeria de Arte ANA PIROLO

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